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 O Encontro Institucional dos Magistrados da Décima Região de 2019 terminou na tarde desta sexta-feira (10) com o painel sobre as reflexões acerca do uso das redes sociais pelos magistrados, com a participação do jornalista do Grupo Globo, Heraldo Pereira, a professora da UnB, Ana de Oliveira Frazão, e o diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio, Fabro Steibel. A mediação ficou a cargo da diretora da Escola Judicial do TRT-10, desembargadora Flávia Falcão.

O primeiro a falar foi Fabro Steibel, que conduziu palestras e workshops durante a manhã e o início da tarde com os participantes do Encontro. O especialista fez um breve balanço das atividades dinâmicas desenvolvidas em grupo com os magistrados. Ele listou e mencionou algumas das propostas de boas práticas que poderão futuramente embasar uma orientação geral para juízes e desembargadores do regional na utilização de suas redes.

Na sequência, a professora da Universidade de Brasília, Ana de Oliveira Frazão, falou sobre as principais implicações do uso das redes sociais pelos integrantes da magistratura. "O Judiciário requer um cuidado maior do que os demais Poderes na internet. Houve e ainda há uma dificuldade de entender como usar o espaço das redes sociais. Quantos desastres temos acompanhado?", observou. Segundo a especialista, as redes hoje ajudam na formação de "bolhas" e, ao contrário do que se possa imaginar, "não são um termômetro do mundo", disse.

Ana Frazão frisou que, para o juiz, saber como atuar nas redes é uma dificuldade maior do que para qualquer outra pessoa. "Antes de tudo, o juiz é um cidadão, um ser humano que interage na vida privada e pública. O problema é que na internet esses papéis se confundem", lembrou a professora. "Hoje tudo que se sabe ao nosso respeito pode ser usado para nos manipular, inclusive, no âmbito político. Informação é uma das maiores fontes de poder", sublinhou.

De acordo com a especialista da UnB, o índice de confiança no Judiciário é muito baixo. "A sociedade dificilmente pode julgar um juiz pela qualidade das decisões. A sociedade não entende a linguagem para poder entrar nesse debate. Eles se baseiam em outras informações sobre o juiz para formular uma opinião. Portanto, o excesso de informação ajuda a sociedade a categorizar os juízes. Esse é um grande problema", pontuou.

Em seguida foi a vez do advogado e jornalista Heraldo Pereira propor algumas reflexões sobre tema, do ponto de vista da imprensa e da opinião pública, aos participantes do Encontro Institucional. "Hoje todos nós fazemos comunicação em grande quantidade e somos especialistas em tudo. Com isso, padece o Direito. Porque o Direito tem códigos e um linguajar muito próprios", indicou.

Na opinião do jornalista, a comunicação profissional passa atualmente por uma mudança de paradigma. Heraldo ressaltou que os profissionais de imprensa gostam da presença de magistrados nas redes, porque ela proporciona facilidade de acesso, porém, existem juízes e até membros do Ministério Público que atuam "demais" nesses espaços.
Adoramos quando vemos vocês nas redes. Porque nós conseguimos acessar mais facilmente. Existem magistrados e membros do MP que atuam muito nas redes sociais.

Fonte: NUCOM (Bianca Nascimento)